dezembro 23, 2018

Breve adeus

Eu fui desistindo de falar
Já não queria encher o saco
Falando dos mesmos problemas pequenos

As balelas de coisas
que nem eu acreditava serem realmente importantes
Mas elas estavam ali

Uma louça lavada
O pensamento fixo no mesmo problema
Lia cinco páginas
Sem absorver uma linha sequer

Dos sonhos, só se salvam aqueles que eu me jogava da varanda
Ou arrancava cabeças alheias

Depois de um papo com um amigo no bar
Sobre coisas que desisti
Fico cada vez mais certo que eu desisti de mim

Até quando?
(vou resistir - ou não)

dezembro 12, 2018

medo

Todo este desespero
é o medo
de eu negar a mim mesmo

dezembro 11, 2018

mensagem na garrafa

Senti a areia bater no meu rosto. O vento estava forte. Estava num lugar alto pavimentado com aqueles blocos de rua de bairros. Levantei sentindo a cabeça girar. O que aconteceu na noite anterior?

As minhas roupas, apesar de no mesmo estilo, eu já não reconhecia. Era uma atualização da mesma coisa que sempre usei. Algo trabalhado no preto, um all star sujo marcado de areia.

Passei a mão na cabeça, queria uma farmácia. Senti a areia escorrendo e meus cachos, que tento esconder a todo custo, bem modelados pela ação de maresia.

Não sabia o que estava fazendo ali. Apesar de parecer uma vila, não tinha ninguém. Observei do alto, quase que como num mirante, a presença da praia. Desci pelas escadas que levavam até o mar.

"Se eu morri, eu não percebi". Olhei atento as ondas quebrando, senti a brisa no meu rosto e sentei na praia. Nem uma alma viva naquele lugar. "Se eu morri, eu não percebi", pensei novamente.

Ao longe, avisto uma garrafa no mar. Parecia aquele coisa de filme bem clichê com uma mensagem dentro. Eu queria ver a mensagem. Queria saber que eu não estava morto. Queria perceber que havia vida ali. Aquela garrafa poderia ser uma pista.

A ressaca me impedia que eu avançasse sobre a ressaca do mar, mas ele, organismo vivo, carregado de energia, encaminhava o recipiente até mim.

Num vai e volta, a garrafa se aproxima, coloco meus pés na água. Havia realmente um bilhete. Agora como se tira uma rolha numa praia deserta? Fui forçando com um pedaço de madeira que achei, até que consegui.

Desenrolei o bilhete. Era um papel velho, rasgado, já amarelado. A mensagem não existia. Estava em branco. Uma sujeira de grafite no canto direito mostrava que alguém tinha manchado aquele papel, mas provavelmente guardou o recado pra si.

Coloquei o papel rasgado no bolso. Sem mensagem, subi as escadas e fui buscar meu caminho.

A próxima garrafa, eu que vou lançar.