julho 18, 2018

Sedução

Estava eu limpando a casa. Quem é míope sabe bem como é difícil enxergar as famosas teias de aranha. Eu, particularmente, nunca entendi o meu medo desses bichos, na sua maioria, inofensivos.

Cheguei cedo da faculdade, ainda de lente, resolvi limpar a casa. Vassoura no teto, ponta do pé. Lá estou eu, mexendo com as famosas teias.

Num balançar envolvente e colante, uma a uma vai se prendendo a vassoura. Os pobres bichos, produtores da sujeira da minha casa, corriam em disparada pelas paredes. Não gosto, não gosto desses bichos.

Adrenalina de os ter ali, dentro de casa, e o poder de destruir tudo que construíram. Eu gostava disso. Destruir dá prazer.

Ao limpar uma das últimas teias da casa, uma aranha cai no meu ombro. Não percebi. Continuo meus afazeres enquanto ela anda pelo meu braço. No árduo trabalho de varrer, percebo a aranha subindo de volta pelo meu braço.

Parei. Por um segundo parei.

Ter o medo em você e não senti-lo.
Eu tinha um papagaio de oito pernas no meu braço.
Oito pernas.

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