março 23, 2018

Feliz ano novo

Último dia do ano, saio de casa para beber uma cerveja num bar barato. Não era exatamente com quem eu queria passar a virada, mas era a opção mais viável.

Bebida, bebida, muito cigarro. A conversa vai e volta. Seu silêncio, sua fuga chamavam para mais um gole, que logo depois virava vários litros.

Seu silêncio me corta a garganta. Eu te quero. Você vem e volta num movimento do mar. Não avança sobre mim, nem me deixa imerso.

A ressaca me acorda com a batida de sinos. Ouço a rouquidão da minha voz e tento não pensar em nada.

Ouço um mudo Feliz Ano Novo. Seu silêncio me corta a garganta.

março 11, 2018

Chuva (/)

Que a chuva venha lavar isso tudo
renovar as forças
porque eu mesmo
já não sei o que fazer

Cinzas

Reuni meus poemas
guardados a sete chaves
naquela caixa no fundo do guarda-roupa

rasgo um por um
formando uma pilha
que também era meu cinzeiro

agora todos eles queimavam
e eu ressurgia das cinzas
de novo
de novo
e de novo.

até quando?

março 06, 2018

Banho de chuva

uma casa sombria
familiar
e inacessível

circulei o terreno, cheguei até a esquina
olhei a padaria fechada que agora já nem sei se é padaria

o lar era sombrio
a noite era sombria

a chuva veio lavar as memórias