maio 24, 2017

Não tive tempo de dizer adeus

Não tive tempo de dizer adeus.

Guardo as palavras, seguro o choro. Muita coisa que eu ainda queria dizer e não posso. Por que você partiu tão rápido?

Me pergunto se você está em paz.

Pegou a bicicleta. Se despediu, passou pela porta.
Foi viver a vida. Nem tive tempo de dizer adeus.

maio 19, 2017

Caixa de mensagens

Acostumou com as cartas diariamente. Sempre em envelopes vermelhos eram colocadas na caixinha com formato de casa de pássaros diariamente.

Ia pegar o jornal e já se encantava com as palavras e o envelope sem remetente. Já sabia quem era. Já sabia o cheiro. Já sabia a letra.

Certo dia, pegou o carro, atropelou a caixa e fugiu.

maio 16, 2017

Quem você é?

Esses dias, um amigo me disse que quando Pedro fala de Paulo, sabemos mais de Pedro do que de Paulo. O que você me diz sobre Paulo?

maio 15, 2017

Dia a dia

Esta noite sonhei contigo. Você chorava e me pedia desculpas. Pedia para que eu não me afastasse.
Prometi que não me afastaria.

Na noite anterior também sonhei isso. E na anterior.

Acordei, lembrei da cena e fiquei na dúvida se era um sonho ou um deja vu.
Já vivi isso.

Escolhi não me afastar.
Você escolheu me mandar para longe.

Pouco a pouco, desvio na rua do lado para não te encontrar.
Um sorriso distante, uma lágrima interna.

O medo de alguém que tudo sabe sobre mim.
E a reciprocidade de não entender.

Corro de volta para casa.
Desligo o celular.

Solidão

Os bares já fecharam e o silêncio da insônia predomina por aqui.
Ao longe, gatos caminham silenciosamente entre os prédios e mexem nas sacolas de lixo.

Observo e eles já somem de vista. Outro aparece e logo some.
Entro no quarto, procuro minha carteira de cigarros e lembro que já não fumo.

Vou a cozinha e pego um copo d'água. Volto ao parapeito da varanda e bebo a água devagar olhando as estrelas. Ligo uma música esperando algum tipo de comunicação.

Penso na água e lembro da fumaça do cigarro. Volto meu olhar para algumas pessoas perdidas que caminham apressadamente pela madrugada.

A solidão me mata.

maio 14, 2017

Virei a cabeça novamente no travesseiro
E nenhuma posição me confortava

maio 07, 2017

Ouro

Certa vez, ganhou uma rosa. Os olhos brilharam.
No outro dia, um chocolate.
No outro, um jantar num lugar a beira mar.
Depois uma calça de marca.

Nunca esquecera quem lhe dera apenas uma carta rabiscada a mão, mas de tanto que queria mais e mais, comeu uma pepita de ouro que ganhou e morreu.

Não tem poética. Mas não era para ter mesmo.

Medo

Sorriu para mim como se visse um amigo que não via há muito tempo.
Ignorei. Fiz cara de quem é você.
Virei a cara como se fosse apenas um velho tarado.

Ele me observava de longe.
Eu o observava de longe.

O medo imperava.