novembro 20, 2017

Silêncio

Levantei cedo, sentei na mesa do café. Enquanto observava o tempo, bati dois ovos com um pouco de queijo e pimenta do reino. Pus na frigideira. A água do café já borbulhava quando passei-o pelo filtro.

Um copo de café quente na mão e um cigarro na outra. Observava o tempo. Corri para a academia tentando retomar o hábito. Todo suado, emendei a malhação com a limpeza da casa.

Tudo impecável. O chão brilhava. O sol que fazia começou a se esconder dentre as nuvens. O tempo mudou. Um leve chuva molha as ruas de Vitória neste momento e eu continuo a observar o tempo.

Entre cada gota da chuva que se choca no chão, um enorme silêncio. Nem o tique-taque do relógio se ouve daqui.

novembro 14, 2017

Mentira

Me falaram hoje que o que vivemos foi uma mentira. Que de fato nunca fomos amigos. Queria acreditar que esta sim é a mentira.

Ainda dói. A falta ainda permanece. E no fundo, eu só queria que você voltasse

setembro 27, 2017

Cactos

Todo toque, todo passo dava de cara com espinhos.
Espetam, recua. Avança. Recua.

setembro 17, 2017

No silêncio

Era fim de semana. A loucura da bebedeira. Aquela uma cerveja que se torna duas, que se torna 20, com mais 20 saideras. As pernas bambas já me levavam pra casa em busca da comida ruim.

A esperança era um miojo com parmesão fresco, numa esperança de fazer menos mal ou ser mais gourmet. Misturei tudo na panela e comi como uma verdadeira macarronada italiana.

Peguei meu celular e liguei. Queria saber como você estava. O silêncio no fundo e a voz me dizendo que você saiu para beber com uma amiga.

"Estou bebendo desde que cheguei. (silêncio) bebi muito (silêncio)"

E no silêncio ficou. No silêncio vai ficar. No silêncio.

agosto 06, 2017

O tempo passa
e eu ainda sinto falta

julho 21, 2017

Café

Pegou a xícara larga de café e pôs sobre a mesa. O cheiro doce do café sem açúcar tomava conta da cozinha. Viu o céu se abrir enquanto respirava o vapor e tomava um gole.
Outrora, a fumaça do cigarro estaria tomando conta de tudo por ali. Respirou fundo e bebeu mais um gole. Era hora de arrumar a casa, de ir ao trabalho, de ler mais um livro.

O gosto do café era só o gosto do café. Sem mais lembranças de algo que um dia existiu. Ou não.

julho 03, 2017

o que eu fiz

você continua a me odiar
uma pausa no discurso
e oculto vem me odiando novamente

o que eu te fiz?
queria tanto entender

junho 05, 2017

Conto de fadas

Era tarde. Estava ela deitada numa cúpula de vidro adormecida para sempre. A chuva caía lenta dentre as folhas da floresta. A rainha má tinha tido sua vitória. Amigos cercavam o caixão incrédulos ao aguardo do milagre anunciado com a chegada do príncipe.

O beijo poderia quebrar a maldição e trazer o final feliz. Um suspiro de alívio, um brilho no olhar de esperança. Lentamente o príncipe se abaixa e beija a princesa.

Nada acontece. O beijo que não ressuscita. O amor que não cura. A princesa que não quer voltar.
Passou um café, montou um cavalo e foi embora.

maio 28, 2017

Punição

Sou completamente contra a lógica punitivista. Não quero pena de morte, não quero gente apodrecendo na cadeia. Quero gente se arrependendo de seus erros e seguindo em frente sendo pessoas melhores.

No fundo, me bate uma onda de EvilQueen e um desejo de: I shall destroy your hapiness even if it's the last thing i will do in my life.

maio 24, 2017

Não tive tempo de dizer adeus

Não tive tempo de dizer adeus.

Guardo as palavras, seguro o choro. Muita coisa que eu ainda queria dizer e não posso. Por que você partiu tão rápido?

Me pergunto se você está em paz.

Pegou a bicicleta. Se despediu, passou pela porta.
Foi viver a vida. Nem tive tempo de dizer adeus.

maio 19, 2017

Caixa de mensagens

Acostumou com as cartas diariamente. Sempre em envelopes vermelhos eram colocadas na caixinha com formato de casa de pássaros diariamente.

Ia pegar o jornal e já se encantava com as palavras e o envelope sem remetente. Já sabia quem era. Já sabia o cheiro. Já sabia a letra.

Certo dia, pegou o carro, atropelou a caixa e fugiu.

maio 16, 2017

Quem você é?

Esses dias, um amigo me disse que quando Pedro fala de Paulo, sabemos mais de Pedro do que de Paulo. O que você me diz sobre Paulo?

maio 15, 2017

Dia a dia

Esta noite sonhei contigo. Você chorava e me pedia desculpas. Pedia para que eu não me afastasse.
Prometi que não me afastaria.

Na noite anterior também sonhei isso. E na anterior.

Acordei, lembrei da cena e fiquei na dúvida se era um sonho ou um deja vu.
Já vivi isso.

Escolhi não me afastar.
Você escolheu me mandar para longe.

Pouco a pouco, desvio na rua do lado para não te encontrar.
Um sorriso distante, uma lágrima interna.

O medo de alguém que tudo sabe sobre mim.
E a reciprocidade de não entender.

Corro de volta para casa.
Desligo o celular.

Solidão

Os bares já fecharam e o silêncio da insônia predomina por aqui.
Ao longe, gatos caminham silenciosamente entre os prédios e mexem nas sacolas de lixo.

Observo e eles já somem de vista. Outro aparece e logo some.
Entro no quarto, procuro minha carteira de cigarros e lembro que já não fumo.

Vou a cozinha e pego um copo d'água. Volto ao parapeito da varanda e bebo a água devagar olhando as estrelas. Ligo uma música esperando algum tipo de comunicação.

Penso na água e lembro da fumaça do cigarro. Volto meu olhar para algumas pessoas perdidas que caminham apressadamente pela madrugada.

A solidão me mata.

maio 14, 2017

Virei a cabeça novamente no travesseiro
E nenhuma posição me confortava

maio 07, 2017

Ouro

Certa vez, ganhou uma rosa. Os olhos brilharam.
No outro dia, um chocolate.
No outro, um jantar num lugar a beira mar.
Depois uma calça de marca.

Nunca esquecera quem lhe dera apenas uma carta rabiscada a mão, mas de tanto que queria mais e mais, comeu uma pepita de ouro que ganhou e morreu.

Não tem poética. Mas não era para ter mesmo.

Medo

Sorriu para mim como se visse um amigo que não via há muito tempo.
Ignorei. Fiz cara de quem é você.
Virei a cara como se fosse apenas um velho tarado.

Ele me observava de longe.
Eu o observava de longe.

O medo imperava.

abril 29, 2017

Facas

Ia se esquivando em meio às facas arremessadas. Tempo, energia e saliva, mas nada o fazia parar. Queria me amaldiçoar com as dores que sentia.

Mesmo ileso às facas, a intencionalidade tem me matado. Volta.

março 13, 2017

Realidade

Me perguntam o que eu quero com essa relação. A resposta vem na gagueira sem nada dizer. Nem nos meus piores pesadelos imaginei chegar a este ponto.

março 12, 2017

Bipolar

Bipolar, eu corro riscos.

Me falaram uma vez que meu celular permitia que as grandes empresas soubessem tudo sobre mim. Fico imaginando se um dia, um amigo, aquele amigo de sempre, se virasse contra mim.

Talvez meio bipolar, com acesso a todas as minhas conversas, desejos e individualidades. O limiar divisor entre o amar e o temer.

Me escondo em desculpas esfarrapadas, nos sumiços dos cafés do dia a dia. Mas você está sempre lá, mapeando meus sentimentos, meus desejos e minhas fugas.

Bipolar, eu corro riscos. Bipolar, eu te amo. Bipolar, eu não sei mais o que fazer.

fevereiro 14, 2017

Volta

Dias sozinho trancado em casa
Quando menos percebo
Me tranco em mim
E percebo que você é um idiota

Por que você não volta?

fevereiro 04, 2017

Velório

A saudade ainda aperta meu peito. A boca, tão disposta a falar, já não tem o que dizer e só se ouve o silêncio dos passos na rua.

Ser esfaqueado até a morte ou deitar ensanguentado na calçada esperando as luzes virem buscar? Que a saudade me leve e junto, minhas dores.

janeiro 22, 2017

Sumiços e dores

Todo dia, na sexta badalada do sino da igreja, seguia ao fim da rua, comprava um café e ficava aguardando a chegada dele. Um cigarro, outro cigarro, mais fumaça.

Não veio. O ritual se repetia, se repetia. Naquela tarde de sol de janeiro, pegou a bolsa e foi à praia. Não ouviu o badalar dos sinos, nem lembrou do café. Mas que falta fez o cigarro.

Nunca soube se naquele dia ele apareceu.