junho 10, 2016

amava tanto
que queria como um fast food

favor, jogar os descartáveis na lixeira
Vamos encarar isso juntos
ver nossa velhice
e rir dos casos  que sentíamos raiva

junho 09, 2016

Até ele voltar

Levanto atrasado, olho o relógio
e corro para varanda

Com um movimento,
Sinto a fumaça
e o café da manhã que não tomei.

Logo vem a imagem do boy
que conversei ontem num aplicativo de pegação qualquer
e já imagino o encontro a noite.

O mesmo bar,
a mesma cerveja
a mesma música pipoca
que vai martelar a minha cabeça
na ressaca de cerveja e cigarro do outro dia.

Teria eu me livrado daquelas correntes?

Um bipe do celular e o próximo match do tinder
rouba a cena. Era um "bom dia", conhecido, marcado

O sinal de fumaça sempre dá certo.
É só rolar os dedos no isqueiro
e logo depois a mensagem que não queria aparece.

Respondo como sempre. Para quê?
É meu amigo. É meu grande amigo.

Me pego a pensar naquela última noite.
Como foi bom. Te usei como nunca.
Babaca! Acha mesmo que ainda te amo.

Mantenho a pose. Trago mais uma vez.
Quero saber como está no trabalho
a mesma correria, a mesma conversa
que pouco vai, pouco vem.

Um convite para o almoço.
Está sozinho. Sabia que não me esqueceu.
Poucas horas longe e já quer a minha presença.

Aceitei, só porque não tinha o que fazer.
Dois mates, dois pratos do dia, seja lá qual for.
A conversa dura minutos e logo o dia tem que seguir.

Na despedida, um beijo no rosto
ou um selinho. "Eu te amo".

A vida dá voltas.
Hoje somos amigos
até que a distância nos separe
ou até que os una?

Sou forte. Estou preparado para esta relação.
A esperança da máquina do tempo
de desfazer os erros já não existe.

Como disse, sou forte.
O tempo passou e os boys do Scruff agora me chamam.
"Meu ônibus! Te amo!"

Seria mesmo isso que eu queria ouvir?
Que amor esta amizade. Será que ele repensou?

Seria o eu te amo que eu queria ouvir?
Talvez seja só o que eu queira ouvir.
Deixa assim (até ele voltar).

Não te amo mais.
Sou bem resolvido.
Dorme aqui hoje?