novembro 18, 2016

Sabrina

Ia lendo aquelas mensagens no Whatsapp como um livro de Sabrina comprado na banca. A esperança do água com açúcar com final feliz vinha em instantes na cabeça.

Sem respostas. Arrancaram o final do livro.

novembro 03, 2016

Utopia

De abuso em abuso
a utopia fica mais no horizonte

outubro 14, 2016

Contos fantasiosos do mal

Parecia uma série de TV. Achei um livro de conto de fadas no guarda-roupa. Lá estava eu, desenhado em páginas  épicas, batalhas com monstros e rainhas malvadas.

Que história de amor. De superação. Aliás, não.
Esta história nunca foi sobre nós. Foi sempre seu ego, seus desejos, tua mania maluca de querer brilhar.

Me alinho à rainha má e sua maldição.
Perder a memória é melhor que viver este conto.

outubro 07, 2016

O mar

Pensei muito e vi que você é o mar.
Eu corro para você e você foge de mim.

Quando desisto, logo vem você me pegando pela cintura
me refrescando e me afogando com uma onda.
Luto para levantar, seguido de outro ataque.

Já na areia, penso em ir embora
e você vem aos meus pés.

Neste ritmo,
no dia que eu largar a praia
vai ver que o seu nível sobe.

outubro 03, 2016

Faxina

A busca é pelos sonhos
que me faziam caminhar sozinho

tirar a poeira dos armários
erguer as prateleiras
e organizar nossos livros

setembro 30, 2016

Covil

A semente escondida foi descoberta.
Os ataques ao cerne da fortaleza iniciam.

"Ergam a ponte. Levantem os canhões.
A guerra continua".

setembro 18, 2016

Paz

E tudo se conserta.

De um momento,
a vida traz surpresas.

Aproveite-as.
Depois corra
sem nada dizer.

Silêncio

Nunca fui muito fã do meu quarto. Lembro quando criança que passava mais tempo no quarto ao lado do que no meu próprio quarto. Meu quarto em si era dividido com um irmão e o silêncio só era quebrado pelo ventilador ou pelo ronco dele.

Mesmo quando estava frio, eu já ligava o ventilador. Aquele tec-tec-tec era quase uma canção de ninar. Tempo vai, tempo vem, eu comecei a ter meu próprio quarto.

Faculdade, os amigos vem depois dos rocks dormir aqui. Era eu acordar e já me agoniava pelo silêncio de todo mundo. Lembrava logo de minha mãe e já ia para cozinha bater panela ou preparar o café da manhã. Era preciso que todos estivessem de pé.

Os risos se misturavam à cara da ressaca e o silêncio já se escondia atrás de algum móvel. Eu estava seguro.

Viajar virou meu grande hobby. Passava mais tempo fora do Estado do que em casa. Era o som do avião decolando, das pessoas falando na rua, os sotaques se misturando na minha língua. A riqueza me pertencia nos pequenos detalhes.

O quarto ainda era meu, mas a cama de solteiro agora era dividida. As roupas chegavam e já caíam pelo chão do quarto. Os assuntos fluíam e a noite passava sem nem ao menos perceber.

Certo dia, o silêncio levantou de trás de um móvel e pôs o intruso e sua bagunça para fora. Corri para o ventilador em busca da proteção do tec-tec.

Mas era só o silêncio.
A cegueira não o deixa ver
que nossos sonhos são os mesmos

Vou desenhar.

Garrafas

Ouvi o barulho das garrafas ao passar pelo quebra-molas na viagem. No máximo uma trincada. Quebra-mola vai, quebra-mola vem. Conduzo o carro mais devagar afim de evitar danos.

Abro a mala. Só cacos.
O que fazer?
Mais rápido que minha amnésia alcoolica
esqueceu quem eu era
e quem um dia fui

Bilhete

Mexa suas pastas, revire suas bolsas
se achar este bilhete
me ligue.

retorno

Mesmo distante
ainda espero o seu retorno

(eu te amo e não sei mais o que fazer)

setembro 16, 2016

Noites de sexta

Os anos passaram e me lembro como era fácil uma sexta-feira a noite. A correria me levava pra casa, vassoura, produtos de limpeza à mão e em uma hora estava tudo limpo.

Um banho quente, um sono de 30 minutos e lá estava eu indo para o rock. Cervejas mais cervejas, algumas bocas. O bate-papo com amigos que nunca vi e que talvez nem os veria mais.

Uma amnésia e a sensação de que a noite foi melhor do que imaginava.

setembro 15, 2016

As estações

Da primavera não vieram flores
mesmo que seus espinhos tenham aparecido afiados

o cuco do relógio saiu para passear 180 vezes
e o mundo continuava a girar

passou o outono
e as folhas caíram secas

era o medo
a decepção
a guerra

estávamos numa disputa

tanto tempo e tudo que faltava
era um abraço
sincero, carinhoso
"tudo vai ficar bem"

setembro 10, 2016

Bilhete

Num bilhete escrito a mão
letra esparramada
quase sem caligrafia

vá e seja feliz

(não mais comigo)

setembro 09, 2016

Atropelamento

Um carro invadiu a calçada e veio me atropelando. Eu, que hoje estou há seis meses me recuperando, olho para minhas fotos e não consigo não me comparar.

É o meu lugar. É onde eu estaria.
Você me atropelou, sem tempo de correr.

setembro 06, 2016

No sotão

A crise vai passar, é o que anunciam todos os jornais. Governo anuncia novas políticas de austeridade. Há quanto tempo temos passado por isso?

Racionamos nossos encontros, os jantares já não existem, a poltrona do avião já não é a meu lado. Seria eu um vice decorativo? Fui colocado na reserva.

Falando em reserva, ontem voltei naquele restaurante. Duas taças de vinho barato estavam na mesa que reservei. Não fiquei pra jantar. Aproveitei o embalo e fui para um bar pé sujo ver o sol nascer de dentro da cerveja barata.

Num desses dias, apaguei num bar e acordei no sotão.

agosto 28, 2016

Fiquei trancado aqui no museu.

agosto 26, 2016

Joias

Como pude esquecer minhas joias em cima de uma mesa?
Não fui buscar.

Solidão

Vem e me procura
quer saber por que eu sumi

não temos muito o que falar
um trilho de trem separou nossos destinos

desgovernado, o trem (ou outro personagem desta história)
pede que eu retorne, que eu atravesse o trilho

faço. ninguém está lá.

Vida

O mundo não para. Estou sempre correndo e deixando a vida passar.
Vou continuar meus trabalhos aqui.

agosto 25, 2016

Hora de correr

Era com a certeza nos olhos que dizia que nossa amizade era a melhor. Que seríamos sempre melhores amigos. Do filme romântico à comédia trágica.

As gargalhadas vinham no automático. Quem mais no mundo teria uma história de cinema? E era só o ponteiro do relógio pensar em andar e mais se entrelaçava o destino. A cascavel vinha pronta para devorar a presa.

Poucas palavras, uma distância quase que não-natural e fechei os olhos. Ouvia cada palavra numa sinfonia de violinos desafinados. Eu, que pouco entendo de violinos, fiquei a assistir.

Uma goteira ao fundo do palco indicava perigo. Não estou mais seguro.

Tenho que correr.

agosto 19, 2016

Perdemos o sorriso, a leveza, as conversas
não sei o que fazer

saudade, apenas.

agosto 05, 2016

Estrelas

Naquela noite, olhou aos céus
e pediu às estrelas que nem ali estavam
que trouxessem o brilho que se fora

Num tom de egoísmo ou de puro medo
evitou pensar onde estariam as estrelas
e por que há tanto tempo abandonaram os céus

Teriam elas perdido espaço para Pokémons?
A verdade é que o Cruzeiro do Sul já indicava o norte
e o que indicava o norte já não indicava nada.

Quero só sua companhia, estrela, companheira
Mande o pequeno principe buscar sua rosa
porque estrela, você é, sempre foi e sempre será
só minha.

Por que não fazer diferente? Juntos seremos uma nova constelação.

julho 21, 2016

Andando na feira no Rio de Janeiro, achou um colar. Não era de ouro, prata ou qualquer outro metal nobre. Nem ao menos sabia se era metal.
Não tinha diamantes, pedras preciosas ou qualquer tom de nobreza. Era um colar simples, com pingente. Uma grande chave com argolas e uma corda de couro sintético.
Era uma jóia rara de tão comum, mas tão expressiva. Por anos, continuou a ser e provavelmente continuará. Joias não perdem sentido, significado com o tempo.

O lixo nunca será seu destino.
Não há descartabilidade no essencial.

junho 10, 2016

amava tanto
que queria como um fast food

favor, jogar os descartáveis na lixeira
Vamos encarar isso juntos
ver nossa velhice
e rir dos casos  que sentíamos raiva

junho 09, 2016

Até ele voltar

Levanto atrasado, olho o relógio
e corro para varanda

Com um movimento,
Sinto a fumaça
e o café da manhã que não tomei.

Logo vem a imagem do boy
que conversei ontem num aplicativo de pegação qualquer
e já imagino o encontro a noite.

O mesmo bar,
a mesma cerveja
a mesma música pipoca
que vai martelar a minha cabeça
na ressaca de cerveja e cigarro do outro dia.

Teria eu me livrado daquelas correntes?

Um bipe do celular e o próximo match do tinder
rouba a cena. Era um "bom dia", conhecido, marcado

O sinal de fumaça sempre dá certo.
É só rolar os dedos no isqueiro
e logo depois a mensagem que não queria aparece.

Respondo como sempre. Para quê?
É meu amigo. É meu grande amigo.

Me pego a pensar naquela última noite.
Como foi bom. Te usei como nunca.
Babaca! Acha mesmo que ainda te amo.

Mantenho a pose. Trago mais uma vez.
Quero saber como está no trabalho
a mesma correria, a mesma conversa
que pouco vai, pouco vem.

Um convite para o almoço.
Está sozinho. Sabia que não me esqueceu.
Poucas horas longe e já quer a minha presença.

Aceitei, só porque não tinha o que fazer.
Dois mates, dois pratos do dia, seja lá qual for.
A conversa dura minutos e logo o dia tem que seguir.

Na despedida, um beijo no rosto
ou um selinho. "Eu te amo".

A vida dá voltas.
Hoje somos amigos
até que a distância nos separe
ou até que os una?

Sou forte. Estou preparado para esta relação.
A esperança da máquina do tempo
de desfazer os erros já não existe.

Como disse, sou forte.
O tempo passou e os boys do Scruff agora me chamam.
"Meu ônibus! Te amo!"

Seria mesmo isso que eu queria ouvir?
Que amor esta amizade. Será que ele repensou?

Seria o eu te amo que eu queria ouvir?
Talvez seja só o que eu queira ouvir.
Deixa assim (até ele voltar).

Não te amo mais.
Sou bem resolvido.
Dorme aqui hoje?

maio 21, 2016

leveza

Pensava em leveza
e logo vinha a imagem de uma pena
na cabeça

o vento a carregava
ela dançava no ar

um dia
achou a pena pesada
sem perceber que colocou
uma pedra em cima de seus sonhos

maio 09, 2016

distante

Cara a cara
mantenho minha boca distante da tua

Me aproximo, sussuro
a gente ri.

outro dia,
palavras secas cortam a expressão da face

não dá para entender
preciso me manter distante

maio 05, 2016

Divórcio

Chegou de repente se anunciando a putinha do Brasil
Cargo que até então era meu e não, não renunciaria.

Com um pouco de conversa, fumaça e mosquitos
no banquinho daquela universidade
Percebi que o título era meu.
Mas digamos que era uma puta de respeito.
Talvez um presidente estadual.

Foram dois copos de chopp naquela noite
Aqueles de 800ml no Groove, que já nem existe mais.

Um sussurro na mesa e um grito bêbado impulsivo
de estamos namorando.

Nem eu sabia o que me faria aceitar aquele convite.
Era a entrada de um túnel para uma nova fase.

Duas semanas depois, a primeira visita em casa
Uma escova de dentes ficava no banheiro.
Dois mundos ao contrário
se reunindo numa mesma foto.

Valia o lema: casal feliz engorda junto.
Dois anos depois, a escova já não está no banheiro.
O sentimento já não é o mesmo.

Espera. Fica mais.

abril 30, 2016

madrugada fria

O frio da madrugada
os pés gelados embaixo das cobertas

sem outros para te aquecer.

todo o espaço
todo o vazio

abril 26, 2016

Verde-esperança

A bandeira com a digital
os cheiros das tintas da infância
os sonhos que adorava e nunca entendi

o telefonema dos amigos
o brilho no olhar
o sorriso espontâneo

o cheiro da pele
o cheiro do café diário

a fumaça mentolada

os lugares que passamos

coisas que sempre me lembram
que não sei desistir das pessoas

o verde da esperança ainda brilha
seja para qual caminho for
estarei lá.

abril 25, 2016

Livros

"É só isso, não tem mais jeito
Acabou, boa sorte
Não tem o que dizer
São só palavras
e o que eu sinto
não mudará"

Nunca acabo de ler meus livros
será que nossas histórias não tem fim?

Não sei.

Casa

A saudade bate, é claro, meu amor.

O furacão de Oz carregou nossa casa
e tudo está fora do lugar.

É tempo de nossa faxina,
enterrar nossos mortos
e seguir em frente.

Me ofereceram uma nova casa
imobiliada, limpa e de luxo

Mas casa mesmo
é só aquela com cheirinho do café amargo
a baguncinha jogada no canto

e a sensação que aqui é o meu lugar.

(vamos ficar bem. resolva suas crises)

abril 15, 2016

espelho

Na pedra que atravessou o espelho
será eu ter perdido o brilho?

lascas no chão e um pó
fino, cortante

seria alguém capaz de perguntar
espelho espelho meu

na limpeza dos cacos
num flash
o brilho dos olhos se apaga

abril 14, 2016

Vidro

Gestos que dizem mais do que palavras.
Difícil contornar. Difícil prever.

O velho clichê da garrafinha de vidro
Espero que não se vá.

abril 12, 2016

pauta-bomba

Difícil descrever o tempo
quando o tic tac dos relógios
já é inexistente

o tempo corre
grita

bomba atrás de bomba
as notícias chegam num estardalhaço

não as que eu quero

e se me peguntar como foi meu dia
já nem sei responder
se houve algum

abril 07, 2016

Impressão

As palavras foram secando
enquanto o papel continuava a ser escrito

secas, as palavras diziam
sem muito dizer

se estava tudo bem
estava

tudo parece tão confuso
mas as máquinas não podem parar

abril 05, 2016

Esbarrando no coelho

O lago refletia o céu estrelado.
do banco de madeira, apenas o silêncio dos grilos
e o barulho da palmada nos mosquitos

a fumaça dos cigarros era uma tentativa frustrada
de espantar os insetos e se livrar dos problemas
que o cinema não mostra

chuva de palavras.
notícia notícia notícia

o coelho da Alice corre e entra pelo planetário
e na onda de "estou atrasado"
deixa cair o relógio

vidro para um lado
ponteiro para outro
e os minutos vão se perdendo

não é possível mais achar as horas

o acidente quase fantasioso
desequilibrou a calma do lago

a preocupação em recuperar o relógio
e o tempo, achar o coelho e dar sentido a esta história
esbarrou nas guimbas acesas

feridas. dor.

do lago, não se vê mais as estrelas
uma nuvem tóxica de palavras tomou conta
da paz que os mosquitos nunca deixaram existir

o coelho segue seu rumo
sozinho, sem tempo
porque é tarde. é tarde.

Velório

O amigo que aparece no velório de um ente querido
para prestar condolências
e vender uma missa de sétimo dia.

Não passará.

março 06, 2016

De dentro daquela constelação
o brilho de uma estrela se apaga

fevereiro 20, 2016

Botar o bloco na rua

Acessou o quintal de casa,
deitou na grama e sentiu o sereno fresco
a se depositar na pele

olhos fechados
apenas o pulsar do peito

olhos abertos
estrelas pulsando como tambores
trazendo de volta lembranças daqueles que nunca o deixaram