setembro 02, 2014

A lenda do sol

No início dos tempos, tudo era escuridão. A vida era em tribos, mas na hora dos perigos, era cada um por si. A vida era uma caçada nas sombras. O outro era mero interesse na própria sobrevivência.

Com a descoberta do fogo, um garoto tomou para si a missão de iluminar sua tribo. A grande surpresa veio ao enxergar o rosto das outras pessoas. Olhos nos olhos, como nunca havia sido. E todo dia, lá estava ele a acender fogueiras.

O fogo não durava muito. Logo vinham os ventos, as chuvas, a lenha acabava e o fogo ia embora. Mas ele não desistia. O dormir trazia o desejo de ver o brilho novamente. E todo dia, lá estava ele acendendo novas fogueiras. O fogo trouxe as manhãs. Juntar-se ao redor das fogueiras tornou-se um hábito.

Discutiam entre si, definiam estratégias, melhoravam suas vidas. Vieram os primeiros amores e, com o perdão da piada, à primeira vista. Mesmo com todas as dificuldades, o garoto jamais deixou de acender as fogueiras, mas o desejo se estendia. Mais do que ver o rosto das pessoas, ele queria ver o mundo.

As árvores, as paisagens, o relevo. Tudo se tornava objeto de intriga. A vida era uma guerra. Sua guerra era levar luz por onde fosse necessário. Com as experiências repetidas, ao mesmo tempo que inovadoras, veio a ideia de acender uma chama no ponto mais alto que pudesse alcançar.

Era o momento da partida. Seguir numa aventura para realizar seu sonho. No alto de uma colina, reuniu tudo aquilo que fizesse a chama mais forte que já havia feito. Com um pouco de materiais que acelerassem o processo de combustão, acendeu o fogo.

Chamas, fogueira, brilho e garoto se tornaram uma coisa só. Mesmo de longe, era possível ver aquela bola de fogo cortando o céu. O garoto nunca mais foi visto dentre a tribo. Mas reza a lenda que todas as manhãs, ele sai de trás das colinas para ver o mundo que sempre quis. Cada raio daquela bola de fogo é um braço seu acariciando o mundo. Mesmo dentre as nuvens, a missão se repete em todas as manhãs desde então...

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