outubro 29, 2014

Impulsividade

Impulsividade me dá medo
É a reação pela reação

O agir irracionalmente
Medida protetiva
Com consequências imprevisíveis

outubro 20, 2014

Idiotice

Destruir jardins
com medo que as flores não venham

outubro 18, 2014

Louco por você

Sinto falta do calor dos corpos
Do desejo dos olhares
Do laço das conversas

"Sou louco por você"

outubro 16, 2014

Céu sem estrelas

Já passa das 10 da noite
Céu sem estrelas
Muitas nuvens

Onde você está?

(esteja bem e volta para mim

Sinos

O badalar do tempo soa nos sinos da praça
Ecoa pela cidade
E mostra o peso de meus pecados

Sou um pecador?
Ainda espero os sinos tocarem

Grileiro

De tanto acreditar
Descobriu que já não era

O grileiro veio e tomou suas terras.

Vodca

Um copo de vodca
E a noite fecha
No vazio que começou

Meio copo vazio
Meio copo cheio

Meio copo sem resposta

outubro 13, 2014

Telefone

A voz que te traz alegria
lembranças
sentimentos

O sorriso que se ouve
A saudade que se sente


(volta logo)

Erros

Os erros se repetem.
E repetem. E repetem.

Erros de personalidade?
Proteção do destino?

Quando meus erros podem machucar outras pessoas.
O caminho apresenta falhas, mas nossa estrada não pode deixar de existir.

outubro 08, 2014

Não estava escrito nas estrelas

Parei na varanda
em meio aos cigarros insones da madrugada
E olhei as estrelas

Minha história não estava ali.
as estrelas não previram nada para mim.

Nossa história começou rápida, instantânea.
Por um segundo, não teríamos começado.

Foi na borra de café
que te vi escrito ali.

Dia frio

Dia cheio de neblina
Noite congelante

Um abraço quente
embaixo dos cobertores

outubro 07, 2014

O melhor amigo

Naquelas conversas
Em que mente
Se choca com a mente

Fumaça abaixo
Num cigarro
Consigo mesmo

outubro 06, 2014

Das fobias aos receios

Receio de um copo se quebrar
Um dia aconteceu, um copo se quebrou

Aderir a um copo de plástico,
uma garrafinha descartável
Nada disso rompe o medo do copo de vidro se quebrar novamente

Usemos então as louças
E deixe que o medo seja apenas um receio
Para um dia usar as verdadeiras louças de cristal

Enquanto o medo persiste,
a vida passa descartável

outubro 04, 2014

Frio

Da fumaça em meio à varanda,
me veio um arrepio na espinha

Hora de entrar.

Silêncio

Casa suja
Música alta lá fora
Nenhuma cerveja hoje

Prazos e mais prazos e prazos
Um pedido de paz

Silêncio lá dentro

outubro 03, 2014

loucura

Sombras me seguem
em meio a um quarto branco

manicômio?

Café, cigarro e o vício da caneta

Nunca recebi uma carta. Sempre passei horas debulhado sobre papel, caneta. Mãos manchadas de azul. No papel, sentimentos, pensamentos, conexões sem nexo e o mais puro eu.

Pensamentos proibidos que não estarão à vista do mundo. Apenas um, apenas um leria tudo aquilo. Chegar a minha essência não é privilégio de qualquer um.

E a cada verso sem resposta, dúvidas sobre o valor de tudo aquilo escrito e enviado. Como numa guerra, as respostas que não chegam trazem as dúvidas que não queríamos ter.

Faço um café amargo, fumo um cigarro e atravesso a madrugada em textos e mais textos. "De doce já basta a vida". Por que não levar isso como filosofia de vida? Me pergunto se tento adoçar a vida demais. Não sei dizer.

Certa vez, uma única resposta chega às minhas mãos. O café amargo caía em meus textos. Textos perdidos. Irrecuperáveis. O medo dali ficou. E se minha caneta, que tanto produzia, também destruísse os meus textos?

Parei de escrever por um tempo. Sem meus papéis e minha caneta, a vida parecia já não ter sentido. As bebidas perderam o gosto, a casa empoeirava, o banheiro era consumido pelo limo.

O quão amado você deve ser para merecer os sentimentos mais puros de alguém numa carta? A pergunta martelava em minha cabeça. Não seria eu digno de uma resposta?

Certa vez, conheci um garoto que me incentivou a fazer essa faxina na minha vida. Foram dias arrumando guarda-roupa, armários, tirando poeira, traças e esfregando os azulejos do banheiro. Numa dessas faxinas, achei lá meus papéis e minha caneta, que não demorou para querer se manifestar.

Registrava minhas viagens de ônibus, os passeios pela universidade, as experiências nos banquinhos da universidade, as conversas frente a praia. Minha mania de guardar coisas estava ali na minha caneta. Cada momento poderia virar um texto, uma lembrança.

A rotina café-cigarro-madrugada-texto voltou a acontecer. A guerra continuava. Minha caneta escrevia, o papel chegava a seu destino. É possível escrever cartas sem resposta? Pela primeira vez, passei a guardar textos em mim. Os que ainda iam para o papel eram guardados numa caixa esperando o dia que ganhariam a liberdade.

Certo dia, numa dessas escritas, o café novamente amargou o papel. Pendurei-o no varal, sequei-o e enviei. Ainda espero a carta que nunca chegou.