junho 09, 2014

Da casa à revolução

Sabe aquela preguicinha de férias que nada te dá motivação suficiente para se mexer? Estava assim há algum tempo. Queria mesmo ver minha casa arrumada, o movimento estudantil andando e o dinheiro entrando na minha conta. Determinação vai, determinação vem, e o que ia mesmo era o maldito cigarro.

A fumaça se misturando às nuvens e eu lá na varanda filosofando com o ar da graça de quem não gosta de filosofia. Os afazeres foram ficando de lado e a poeira se acumulando em tudo ao meu redor. Os armários estavam vazios e a geladeira cheia de coisas que bem - depois de meses - não estavam lá em condições de serem consumidas.

Após a coragem de atravessar a rua e fazer compras vir, era hora de guardar tudo e reorganizar a vida. Aí que me veio a surpresa. Gelo. Muito gelo. Não havia como guardar os congelados porque tudo estava com gelo demais (?). É, parece mesmo estranho, mas todo cidadão sem faxineira sabe muito bem disso.

Dias foram se arrastando e minha barriga empurrando aquele gelo adiante. Com uma visita dos meus pais - que agora vem me visitar, já que a preguiça me consome até para ir até eles -, ganhei algumas carnes nobres. Pronto. A situação estava insustentável. Desliguei a geladeira - já me esquecendo do que viria depois - e fui passear com eles.

Cheguei em casa já de noite. Não entendo o porquê de as geladeiras conterem uma função de "Degelo seco", se tudo - incluindo a própria e até a cozinha - ficam completamente encharcadas após o descongelamento. Vencendo a preguiça de algo que era completamente inadiável, juntei os panos e comecei a limpeza.

Tirei tudo de dentro e lavei as prateleiras. Eram alimentos vencidos, produtos abertos mas não consumidos, temperos que nunca utilizei e muita coisa que já não me servia. Recolhi tudo a um saco de lixo, reorganizei o que ficou e lá estava. Limpa, organizada e com espaço para novos alimentos que eu quiser. Tarefa vencida.

Não sei o que há de revolucionário em limpar a geladeira, mas talvez tenha sido a maior revolução que fiz nos últimos tempos.

(amanhã é hora de dar jeito no resto da minha casa - e quem sabe na vida)

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