fevereiro 14, 2014

O reino da solidão

E era um reino solitário de grandes muralhas.

As festas traziam muitos convidados, que após as boas conversas e bebidas, iam embora. Era quase que uma exigência do rei. Ele gostava de ficar ali, se proteger e deixar que a vida o levasse em meio aos trabalhos que construíam sua fama de eficiência e bem feitorias. Ele era simpático, sorridente, mas estava sozinho.

Um dia, um convidado chegou de surpresa para passar algum tempo por ali. O rei experimentou pela primeira vez a sensação de não ver todos indo embora no primeiro dia. Algo o aquecia por dentro, mas ele, que nunca precisou demonstrar algo a mais, foi apenas deixando o hóspede ficar dia após dia ali.

Conversas, trocas de experiências, risadas. Claro que algumas desavenças aconteceram, mas nada disso atrapalhou a paz do reino, que até experimentava aquela sensação de convivência. O Bom Dia nunca antes recebido, as músicas de outros cantos, o sotaque.

Foram seis meses por ali. Era hora do hóspede, agora um amigo, confidente, sabedor de toda rotina, partir. Ele queria partir. Aquelas muralhas eram parte importante de um passado que não seria esquecido, mas havia ainda muitas terras para visitar e conhecer. O destino seguia com outros planos.

A solidão do rei, antes tão apreciada, agora era um prato estranho. Aliás, prato esse que sobrava na mesa. Era hora de voltar às velhas muralhas, com festas e conversas pontuais. O rei da solidão, pela primeira vez, experimentava realmente a solidão.

Ele não queria que o hóspede partisse. Continua não querendo, mas desta vez, a certeza é que os os portões do reino não poderiam mais fechar.

Que venham novas surpresas, velhas visitas e fiquem o tempo que quiser. A casa é toda sua.

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