julho 10, 2009

O badalar do tempo

E no mistério da lembrança
No badalar do tempo

Ouço as vozes ecoando
Chamam-me
Chamam-me

Esqueça a gramática!
Grite mais alto!
Esqueça de mim!

Não quero pensar
Que eu passo.
Se o tempo passa
Como passarei?

Vejo meu passado
Observo o que acho que ninguém vê

Posso ouvir a sinfonia das notas
Do papel que vi no chão
naquela madrugada
Em que andava na chuva

Mas não
Logo esqueço disso também.
E os pingos? E os pingos de chuva?
Onde foram parar?

Eles respingaram minha mente.
Esqueço. Refresco-me.
O que eu tinha a fazer?
Tudo passou tão rápido.

Não me arrependo.
As coisas foram como deveriam.
Algumas lembranças, que nunca foram lembradas
Vão ficar para sempre em quem as viu.

Eu não vi. Não verdadeiramente.
Mas posso senti-las. Sinto...
Sinto como se tudo que eu faço
Agora tivesse um sentido.

Não esqueci daqueles que ficaram.
Não esquecerei.
Mesmo que o ônibus tenha deixado o quarteirão
Eles continuam ali.

E eu sinto.
Sinto que ainda os tenho.
E não quero pensar na solidão.
Se não penso, ela não existe.

Chego a dilemas
Sobre o que realmente sou
Caio em contradições
E no meio de toda essa confusão
Acho que não sei o que digo...

10 comentários:

Míope sem óculos disse...

Estou confuso...

contador de histórias disse...

Dizes o que sentes. Nunca se sabe ao certo o que é sentido; quando se tenta dizer o que se sente, parece que nenhuma palavra cabe ou traduz. Por isso muitos poetas são considerados loucos; por dizerem coisas que nem eles próprios sabem, acabam deixando quem os ouve confusos diante da tentativa de traduzir o que o poeta sentiu.
Suas palavras não são tão fiéis a vc... e nunca serão!

Rond disse...

"Chego a dilemas
Sobre o que realmente sou"

gostei disso!
Abração filhão!

Thiara Pagani disse...

"E não quero pensar na solidão.
Se não penso, ela não existe"

Gostei disso!

Valdeir Almeida disse...

"Esqueça a gramática!
Grite mais alto!
Esqueça de mim!"

Chega de padrões. O padrão da língua é o reflexo do padrão da vida.

Pôxa, Ricardo, sem nenhuma rasgação de seda, você escreve muito bem.

Onde você consegue inspiração?

Parabéns!!!

Rafael Barbosa disse...

você escreve bem pacas, mas mesmo assim tô confuso.

Jay e Alê disse...

Oi Ric,

Interessante a forma como escreveu. Mas no meio de tanta coisa bonita, vc diz que não sabe o que dizer? Como assim se disse tudo tão maravilhosamente bem? Na verdade eu entendi! Lindo mesmo.
Obrigado pela visita no Ká Entre nós! Volte mais vezes.
Abraço
Jay

Leandro Nossa disse...

só o tempo mesmo.

Fran disse...

Time is illusion!!

;D

YullyAngel. disse...

que coisa mais fodá!
Nossa to sem palavra, eu achei perfeito!
=O



Bju