julho 22, 2009

Mundo dos Espelhos

Olho para todos os cantos
E tudo é tão igual.

No fundo, é só o meu reflexo.

julho 20, 2009

Tentativa de clichê

- Eu mudei, meu amor. Não tenho mais medo de te perder. Eu sei que você me quer e te quero também. Mesmo com todas as pessoas lutando contra o nosso destino, sei que ao seu lado eu sou mais forte. Eu posso mudar o mundo, sentindo apenas o seu amor, que ó, é fruto de divina carne. Amo seus olhos e o brilho deles e vejo no seu corpo a realização dos meus sonhos mais profanos. Não tenho mais medo de perder.

Com um abraço, selou as palavras. Com uma faca, selou o destino.

julho 19, 2009

Falsa fuga

Se você quisesse fugir? Para que lugar iria? Penso nisso há alguns anos...
Talvez nunca tivesse chegado há uma conclusão verdadeira. A Pasárgada de Manuel Bandeira talvez, mesmo mentalmente falando, seja totalmente ilusória.
Tento me refugiar nas músicas. Só tento. As coisas caminham fluídas e falhas. É como um rio com pedras estrategicamente posicionadas.
Em alguns vocais, encontro o grito para minha tristeza. Aquela coisa de ouvir de fora, algo que está gritando //para// internamente a você. Sinto-me melhor, mas as respostas já não me servem...
Eu não preciso exaltar minha tristeza para eliminá-la. Ela apenas se camufla. Logo volta.
Mudo para uma música nacional, alegre, dançante. O ritmo guia a mente e parece que meu lugar de fuga começa a se garantir. Ouço a letra...
Não. Não é aqui.
Paro realmente por instantes e penso que Pasárgada é utopia. Enquanto escrevo isso, um pseudo-relato nesse blog, meu winamp toca Legião Urbana.
O que me lembra Legião Urbana? Quantas coisas. Deixo a musica me tomar momentaneamente. Vejo uma cidade. Uma cidade que eu nunca vi, mas que posso imaginar. Via nas cartas que recebia.
Quero fugir para lá. Rápido. Corro.
Compro a passagem.
Chego. Continuo em busca de Pasárgada...

julho 17, 2009

Conto erótico [Vampire Edition]

De súbita paixão passageira, escolhi minha vítima.
Aproximei. Olhei.

Lancei meu olhar. Aproximei.
Sinto o perfume importado num pescoço suculento.

No cheiro, na conversa e na troca de olhares
Firmo a ocasião para o tão esperado beijo...

Envolvo-a em meus braços. Passo a língua no pescoço.
Que belo pescoço...

Numa leve baforada, cochicho algo no ouvido.
Gosto de você, minha jovem vítima. Bela dama.

A diferença de idade pouco importa.
Você é sangue bom.

E deslizo o rosto pelas bochechas, aproximo da boca.
Brinco com os lábios dela. Ora beijo, ora finjo.

Arrasto minha língua pelo pescoço da jovem.
Apenas uma mordida e...

...de súbito, ouço:
- Eu tenho que ir.

julho 15, 2009

Cúpula

Sinto um bloqueio.

Não me mexo.
Algo me impede.

julho 10, 2009

O badalar do tempo

E no mistério da lembrança
No badalar do tempo

Ouço as vozes ecoando
Chamam-me
Chamam-me

Esqueça a gramática!
Grite mais alto!
Esqueça de mim!

Não quero pensar
Que eu passo.
Se o tempo passa
Como passarei?

Vejo meu passado
Observo o que acho que ninguém vê

Posso ouvir a sinfonia das notas
Do papel que vi no chão
naquela madrugada
Em que andava na chuva

Mas não
Logo esqueço disso também.
E os pingos? E os pingos de chuva?
Onde foram parar?

Eles respingaram minha mente.
Esqueço. Refresco-me.
O que eu tinha a fazer?
Tudo passou tão rápido.

Não me arrependo.
As coisas foram como deveriam.
Algumas lembranças, que nunca foram lembradas
Vão ficar para sempre em quem as viu.

Eu não vi. Não verdadeiramente.
Mas posso senti-las. Sinto...
Sinto como se tudo que eu faço
Agora tivesse um sentido.

Não esqueci daqueles que ficaram.
Não esquecerei.
Mesmo que o ônibus tenha deixado o quarteirão
Eles continuam ali.

E eu sinto.
Sinto que ainda os tenho.
E não quero pensar na solidão.
Se não penso, ela não existe.

Chego a dilemas
Sobre o que realmente sou
Caio em contradições
E no meio de toda essa confusão
Acho que não sei o que digo...