abril 13, 2009

O conto que nada conta

Esse é um conto que nada conta. Começa assim, do nada.
Ele simplesmente vem, passando por caminhos que ninguém nunca viu. Ele tenta falar algo, mas não consegue. Seria em vão tentar falar algo porque um conto que nada conta, fala sem nunca falar.
Não tenho como dizer se ele vem na esperança de passar a existir ou se é apenas uma tentativa de falsidade ideológica. Afinal, será mesmo que isso existe?
O verdadeiro conto sente inveja do conto que nada conta, porque ele, sem nada contar, existiu. Entretanto, o verdadeiro conto não sabe que o conto que nada conta não tem muito tempo de vida.
É assim que o conto que nada conta termina, desaparecendo como algo que nunca existiu, como respostas que giram em torno de uma mente sem perguntas.

abril 04, 2009

O silêncio do relógio

Estou atrasado. Vejo o tempo passar.
As pessoas andam de um lado para o outro. Estou invisível. Não existo na minha existência.
De alguma forma, não quero que as pessoas me notem. Vivo neste instante com o intuito de apenas passar. Não preciso que as pessoas me percebam.
Não existo na visão delas, mas eu estou ali.
À espera de uma solução ou de um ônibus (o que chegar primeiro), caio em novas reflexões. É um beco sem saída. Não há respostas quando se pensa num estado de inexistência.
Logo logo isso irá passar, esse autismo voluntário. A dúvida me corrói. Nem a solução nem o ônibus chegam. Não só eu estou atrasado. Observo ao meu redor, as pessoas olham o relógio. Todos estão atrasados.
Estou invisível e atrasado. O ônibus chegou. Sou apenas um fantasma no reflexo de um ônibus que passa, sem solução.






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Essa semana recebi um Selo ^^ achei bem legal =]

A indicação foi do blog 'Ponderantes', escrito pelo Valdeir Almeida! Muito obrigado!

O selo acompanha alguns passos a serem seguidos:1) Escrever uma lista com oito coisas que sonhamos fazer antes de morrer;2) Convidar oito parceiras(os) de blogs amigos para também responder;3) Comentar no blog de quem convidou;4) Comentar no blog de nossos(as) convidados(as) para que saibam da convocação.

A primeira etapa do selo, eu prefiro não seguir! Guardar os sonhos em segredo é algo mais legal ^^

A seguir, lista das 8 pessoas ^^
Darshany
Aline Dias
Marcel
Sanmy
Sido
Patolina
Aleks
Felippe

abril 02, 2009

É um robô!

Num mundo marcado pela influência dos meios de comunicação e que as crianças passam cada vez mais tempo sozinhas, a televisão tem papel marcante na criação do imaginário e visão de mundo infantil.
É nesse contexto que ocorre essa história.
Fim do período letivo, meu primo de 3 anos traz o caderno de atividades escolares para mostrar para a família.
Depois de alguma insistência dele, resolvi revirar o caderno. Eram só desenhos. Abri numa página aleatória.
- Nossa! Que desenho lindo! O que é?
- Ah! É um robô!
Virei a página.
- Que bonito. Esse é o que?
- É um robô!
Passava as páginas e todos os desenhos eram praticamente iguais. Numa determinada folha, na parte superior estava escrito com a letra da professora: 'BORBOLETA'. Aproveitei a chance.
- Nossa! Que borboleta bonita! - fui surpreendido!
- Não! Não é uma borboleta! É um robô!
Não acreditei! Tudo naquele caderno era um robô. Virei rapidamente a folha.
- E isso aqui? É um robô também?
- Não! É a mamãe!
Desisti de entender meu primo. Peguei minhas coisas, fui embora. No fundo, acho que ele é um robô.