março 29, 2009

Conto Erótico

Há algum tempo, ele já olhava para ela com um ar diferente. Um ar de desejo. De querer. De ter. De Posse.
Ela, por sua vez, não revelava seus pensamentos. Ela o via. Gostava dele. Gostava de sua presença.
As linhas do tempo se embaralhavam e uma festa surgiu.
Vamos? VAMOS!
Chegaram às 20:30 na festa. Beberam alguns drinks e foram para a pista de dança.
Dançavam loucamente. Uma hora a boate estava cheia, no segundo seguinte, só os dois estavam lá. Já não importava o resto. Eles se completavam.
Os olhares se cruzavam. A incidência da linha, a intensidade da linha, a linha dos olhares criava uma conexão. O palpitar da música era a batida do coração deles. Batiam sincronizados. Juntos.
Os rostos se aproximavam. O olhar que durante tanto tempo foi de desejo, já sentia aquela sensação de felicidade, de satisfação.
Os últimos segundos antes do beijo. O beijo. Aquele beijo.
Os rostos se aproximavam, os olhos caíam, fechando-se, como se não precisassem ver o que estava para ocorrer.
As mãos dele cercavam-na na cintura.
A garota aproximou-se do ouvido dele, sentindo toda a energia daquele momento. Um sussurro ecoou ali.
- Eu tenho que ir.

março 24, 2009

A Gang da UFES

Duas da tarde. A professora se acidentou.
Para quem tá em Federal, sabe que são muitas xeroxs para ler desde quando as aulas começam. Fomos eu e uma amiga procurar um lugar para ler os textos de História da Arte.
Sentamos numa pedra grande que há próxima ao nosso prédio, embaixo de algumas árvores. Ela logo avistou um pequeno macaco em meio aos galhos.
Conversa vai, conversa vem, o texto para aula havia sido deixado de lado. O macaco pulava de árvore em árvore, galho em galho.
Estava na hora de eu comer. Ofereci uma barra de cereal e peguei uma. Ela comeu rapidamente e eu fui apreciando o sabor lentamente.
Empolgado num assunto, abaixei a barra de cereal e comecei a falar. Depois de um bom tempo, sinto algo em minha mão. Levo um susto! Retraio o braço no impulso.
A expressão do macaco era de dar medo. As mãos dele tremiam no desejo de possuir minha barrinha de cereal. Ele estava prestes a atacar. Era um assalto.
- Meu Deus! Termino de comer ou entrego a barra de cereal?
- Engole de vez!
Olhamos para trás. Três outros sagüis davam cobertura ao primeiro trombadinha.
Metade da barra, era o que faltava. Coloquei na boca, a barra grudou e eu não conseguia mastigar.
Lentamente recolhemos as folhas espalhadas e corremos da gang.
A crise chegou até mesmo ao mundo animal. E acredite, eles são mais bonitos de longe.

março 23, 2009

O Quarto Escuro

Depois de alguns anos vivendo entre aquele velho quarto escuro e o mundo aberto, as coisas pareciam que nunca iriam mudar.
Te pegam. Te jogam no quarto escuro. Jogam a chave fora. Pronto. Agora você é o prisioneiro das sombras. Por mais que você veja uma luz vindo por debaixo da porta, a noite sempre vem e termina com essa luz.
Passei alguns anos preso nesse quarto. Eu vivia na cegueira absoluta de um mundo seguro. Não havia surpresas. Não havia perigos. Não havia nada a ser vivido.
O medo cria dois principais caminhos: conformar-se ou lutar contra. Escolhi a segunda opção.
Durante dois anos, joguei-me contra a porta, tentei arrombá-la. Quebrar a grade da prisão. Minhas forças foram se esvaindo. Nunca desisti.
Nos meus últimos devaneios, a porta cedeu e foi ao chão. Já não tinha forças para me manter em pé. A luz chegava aos meus olhos.
Seguindo o caminho desejado, arrastei-me no chão em direção a luz, como o próprio diabo que segue em direção a cruz.
Revi o mundo. Minhas forças voltaram lentamente. Mesmo que o velho quarto escuro me assombre, nada vai me parar.

março 15, 2009

Nunca vou saber

Num sonho qualquer, ela apareceu. Parecia a mesma pessoa que eu admirei a vida toda. O que houve? Já não nos víamos, minha vida já não a interessava.
Aproximei-me. Logo veio a pose de abraço tão conhecida. Por que ela partiu? O que houve?
Um sussurro veio no ouvido. O que? Não entendo! Eu sabia que eu precisava ouvir aquele sussurro.
Seria aquela a resposta que eu buscava? Tentei perguntar, mas nada fazia sentido. As coisas no sonho se embaralhavam. Nossa ligação momentânea estava se rompendo. Tentei perguntar novamente o que ela disse, mas era tarde. Eu sabia que uma nova fase tinha começado. O passado havia ficado para trás.
Eu tinha que encarar o presente. Talvez não fosse a hora de ouvir o que ela queria dizer, mas sim de entender o que aquele sussurro significava. Alguma coisa havia mudado. A mágoa já não existia.
O despertador tocou. Instantaneamente, eu saí daquele universo paralelo. Toda minha raiva havia partido. O abraço e o murmúrio de alguma forma me mudaram.
O sussurro era a explicação? É o motivo de você ter nos deixado? Nunca vou saber, mas estou bem.

março 07, 2009

Mude já!

As mágoas que deixei
Os amigos que ficaram
As lembranças que vêm

Tudo faz parte de mim.
Que venham as mudanças!

março 02, 2009

Um dia comum

Dias desses, entrei num ônibus e me dirigi ao fundo em busca de um lugar vago. Não havia poltronas livres. Agarrei-me a uma barra e a lotação continuou a viagem.
Apenas meus problemas vinham à mente. Eu pensava nas mudanças que queria, que estavam prestes a vir. Eu estava perdido nos meus pensamentos. O mundo era pequeno demais para que eu o olhasse.
O ônibus freia bruscamente e eu saio de meu estado de transe. Olho para frente e vejo num conjunto de cadeiras um adulto e duas crianças. O homem não era pai ou parente delas. Ele apenas estava ali.
Eram dois meninos, um de aproximadamente 10 anos e o outro de uns 6, que estava adormecido, mesmo com todos os tremeliques do ônibus. O maior segurava o irmão com tanto empenho e todo cuidado, como se carregasse um vaso chinês.
Meus problemas sumiram. Meu coração palpitava. Observei as roupas em que estavam vestidos. Não tinham muitas posses, possivelmente nem tinham o que comer.
A criança menor parecia fraca, com fome, talvez desmaiada. Olhei ao redor. Ninguém os via. Tampouco eu os via.
O adulto se levantou e saiu do ônibus, como se nada estivesse ocorrendo. Eu era como ele, eu apenas estava ali.
O jovem de 10 anos arrumou o irmão no banco, agora livre, e o deitou no colo. Segurava seu rosto como uma mãe que segura um filho que acabou de se salvar de um acidente. O garoto adormecido nem ao menos abria o olho, enquanto era ajeitado no banco.
O que acontecia? O que houve? Por que ninguém vê isso? Por que ninguém faz nada? Eu era hipócrita. Eu sentia pena e nada fazia, como se eu apertasse o gatilho querendo que eles vivessem.
Meu trajeto se aproximava do fim. Meu coração batia dentro da minha cabeça. Em tempos tão difíceis, quem se entrega nessa proteção carinhosa a alguém? Eu não tinha pena. Era inveja. Eu era o mal daquele ônibus.
Eu não estava os vendo. Eu invejava. Como alguém que, com tão poucas posses, poderia ser mais amado do que eu? No fundo, tudo que eu via era meu ego se esvaindo.
Fim do meu trajeto. Uma faca cega retirava meu coração. Como se apertasse o gatilho, eu saltei do ônibus, sem nada fazer. Eu era o mal daquele ônibus. Eu era o mal desse mundo.

março 01, 2009

Delírio...

Hoje sonhei com nosso futuro.
Fiz planos.
Sorri.
Lembrei do seu rosto.
Pensei em quanto você me faz bem.

O despertador tocou.
Você não está aqui.

O vento

O vento
me trouxe
o cheiro
daquilo
que já
não tenho