novembro 12, 2009

Falsa eternidade

Parecia eterno
Inquebrável

Não sei o que pensar

novembro 09, 2009

Verdades Forjadas

Perdido por caminhos
que nunca adentrei
Ando sem rumo
No espectro da luz refletida

Percorro os corredores
Volto ao início
De novo

Procurando respostas
por onde não vejo saídas

No fundo
forjo minhas próprias verdades

sem mais,
agora minto...

agosto 18, 2009

Nostalgia Imaginária

Eu vejo meus personagens
a cada barulho de passo
na madeira seca do convento
a cada momento de nostalgia
do tempo que nunca estive...



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Volta às aulas na faculdade, surto de gripe e eu em casa.
Uma gripe comum e não posso freqüentar as aulas. Mesmo assim, de qualquer forma, ando preguiçoso. Só dormindo.
Desculpa as minhas sumidas freqüentes aqui no blog.
Prometo ler o texto de todo mundo que ainda não li!

Agradeço ao blog 'Ká Entre Nós' por mais um selo ^^
Selo muito lindo! Muito obrigado^^ Quem não conhece o blog, vale a pena visitar ^^
Tem MUITAS coisas legais!



Aqui, eu teria que indicar algum blog, mas considerando o meu afastamento da blogosfera, não posso indicar. Agradeço as visitas que tenho recebido =]

agosto 02, 2009

Só mais um clichê...

Tenho aguentado por tanto tempo
Encarado as tristezas
Pondo um sorriso no rosto

Sorrio.
O mundo é perfeito.
Faço esse papel.

Mas o que sinto,
tão profundamente,
é diferente disso.

Tento tirar coisas boas disso,
mas tudo que consigo
é escrever esse texto-clichê.



---

Ganhei mais um selo ^^



O blog que me indicou foi o Ponderantes. Obrigado ao Valdeir^^
Bem, com o selo vem alguns procedimentos:

Procedimentos:
1) Indicar os 10 blogs que mexem com os seus sentidos;
2) Dizer 5 coisas que mexem com seus sentidos nesse momento;
3) Linkar quem te deu o selo e exibir no blog.


1) Poderia aqui indicar 10 blogs que mexem com os meus sentidos, mas sei lá. Vou indicar 3, que sempre gosto muito de ler e mexem bastante comigo (como diz o selo). Indico só 3, porque estou meio afastado da blogosfera, então, só os 3 que mais lembro no momento.
- Blog do Marcel
- Blog da Jheniffer
- Blog do Leandro

2)
a) Família
b) Profissão
c) Música
d) EneCOM
e) Inveja

--
Em breve volto com mais textos =]

julho 22, 2009

Mundo dos Espelhos

Olho para todos os cantos
E tudo é tão igual.

No fundo, é só o meu reflexo.

julho 20, 2009

Tentativa de clichê

- Eu mudei, meu amor. Não tenho mais medo de te perder. Eu sei que você me quer e te quero também. Mesmo com todas as pessoas lutando contra o nosso destino, sei que ao seu lado eu sou mais forte. Eu posso mudar o mundo, sentindo apenas o seu amor, que ó, é fruto de divina carne. Amo seus olhos e o brilho deles e vejo no seu corpo a realização dos meus sonhos mais profanos. Não tenho mais medo de perder.

Com um abraço, selou as palavras. Com uma faca, selou o destino.

julho 19, 2009

Falsa fuga

Se você quisesse fugir? Para que lugar iria? Penso nisso há alguns anos...
Talvez nunca tivesse chegado há uma conclusão verdadeira. A Pasárgada de Manuel Bandeira talvez, mesmo mentalmente falando, seja totalmente ilusória.
Tento me refugiar nas músicas. Só tento. As coisas caminham fluídas e falhas. É como um rio com pedras estrategicamente posicionadas.
Em alguns vocais, encontro o grito para minha tristeza. Aquela coisa de ouvir de fora, algo que está gritando //para// internamente a você. Sinto-me melhor, mas as respostas já não me servem...
Eu não preciso exaltar minha tristeza para eliminá-la. Ela apenas se camufla. Logo volta.
Mudo para uma música nacional, alegre, dançante. O ritmo guia a mente e parece que meu lugar de fuga começa a se garantir. Ouço a letra...
Não. Não é aqui.
Paro realmente por instantes e penso que Pasárgada é utopia. Enquanto escrevo isso, um pseudo-relato nesse blog, meu winamp toca Legião Urbana.
O que me lembra Legião Urbana? Quantas coisas. Deixo a musica me tomar momentaneamente. Vejo uma cidade. Uma cidade que eu nunca vi, mas que posso imaginar. Via nas cartas que recebia.
Quero fugir para lá. Rápido. Corro.
Compro a passagem.
Chego. Continuo em busca de Pasárgada...

julho 17, 2009

Conto erótico [Vampire Edition]

De súbita paixão passageira, escolhi minha vítima.
Aproximei. Olhei.

Lancei meu olhar. Aproximei.
Sinto o perfume importado num pescoço suculento.

No cheiro, na conversa e na troca de olhares
Firmo a ocasião para o tão esperado beijo...

Envolvo-a em meus braços. Passo a língua no pescoço.
Que belo pescoço...

Numa leve baforada, cochicho algo no ouvido.
Gosto de você, minha jovem vítima. Bela dama.

A diferença de idade pouco importa.
Você é sangue bom.

E deslizo o rosto pelas bochechas, aproximo da boca.
Brinco com os lábios dela. Ora beijo, ora finjo.

Arrasto minha língua pelo pescoço da jovem.
Apenas uma mordida e...

...de súbito, ouço:
- Eu tenho que ir.

julho 15, 2009

Cúpula

Sinto um bloqueio.

Não me mexo.
Algo me impede.

julho 10, 2009

O badalar do tempo

E no mistério da lembrança
No badalar do tempo

Ouço as vozes ecoando
Chamam-me
Chamam-me

Esqueça a gramática!
Grite mais alto!
Esqueça de mim!

Não quero pensar
Que eu passo.
Se o tempo passa
Como passarei?

Vejo meu passado
Observo o que acho que ninguém vê

Posso ouvir a sinfonia das notas
Do papel que vi no chão
naquela madrugada
Em que andava na chuva

Mas não
Logo esqueço disso também.
E os pingos? E os pingos de chuva?
Onde foram parar?

Eles respingaram minha mente.
Esqueço. Refresco-me.
O que eu tinha a fazer?
Tudo passou tão rápido.

Não me arrependo.
As coisas foram como deveriam.
Algumas lembranças, que nunca foram lembradas
Vão ficar para sempre em quem as viu.

Eu não vi. Não verdadeiramente.
Mas posso senti-las. Sinto...
Sinto como se tudo que eu faço
Agora tivesse um sentido.

Não esqueci daqueles que ficaram.
Não esquecerei.
Mesmo que o ônibus tenha deixado o quarteirão
Eles continuam ali.

E eu sinto.
Sinto que ainda os tenho.
E não quero pensar na solidão.
Se não penso, ela não existe.

Chego a dilemas
Sobre o que realmente sou
Caio em contradições
E no meio de toda essa confusão
Acho que não sei o que digo...

junho 11, 2009

Sem sentido

E só de pensar no tempo

O que parece imutável
É mera lembrança

maio 26, 2009

Mata-baratas

Já era uma velha de pouco mais de 80 anos. Lúcida. Perdeu o marido há pouco tempo. Morava no segundo piso de um sobrado de três andares já antigo em meio aos novos prédios que o crescimento da cidade trouxe. No térreo, funcionava um mercado de frutas e verduras. Com todo esse espaço, a filha, também viúva, mudou-se para lá, afinal, a solidão não existe em dois. Em meio a tanto trabalho da filha, a dupla era ela e a janela...

Mal se via o relógio passar das quatro da manhã e lá estava a velha fazendo café. Escorava na janela da frente com a bebida no copo de geléia e ficava contemplando o vazio do nascer do dia. Era uma máquina aposentada.

Numa visita à antiga moradia, a filha encontrou um gato. Carinhoso, manso. Adotou o bichinho. A velha, como sempre, já foi contra a idéia de ter o gato ali. 'Vai sujar tudo, vai feder, vai passar doença, para quê esse bicho?'. Era o costume já consagrado de reclamar de tudo.

Não coloco a culpa nela. O mundo era a limitação da janela. O passar do tempo era observar as pessoas que, todos os dias, cheias de sacolas de compras, corriam puxando crianças em meio ao sol do verão. O vento soprava em direção ao leste...

Os primeiros dias do inquilino ali foram algo meio que para reconhecer território. O gato andava apenas por curtos espaços e, na ausência de perigo, deitava-se no chão e rolava na soneca. A velha, já armada pelo vácuo da janela, hora ou outra procurava o felino. Com o pé, chutava-o, cobrando o sono que lhe fora roubado.

E era só o bicho se aproximar tentando se enroscar nos pés da velha, ela saía. Ela tinha muitas coisas para fazer. Viver exige pose.

Descia as escadas e voltava para a janela até que, alguém, não importa quem, aparecesse por ali com a desculpa de uma visita-surpresa. Ouvia por alguns minutos as histórias repetidas sobre as pessoas que passavam na rua, usava o banheiro e já ia às compras novamente.

Lá para as três da tarde, fazia um novo café. Já ficava de olho na nora que sempre trazia o neto nesse horário. Da janela, observava o fluxo até avistar os dois... Vinham virando a esquina. Descia às escadas em direção ao mercado. Olhava as frutas da banca e começava a organizar para que, vinte segundos depois, eles chegassem e ela mostrasse toda sua hospitalidade convidando-os para comer rosquinha com café.

Enquanto a nora ia resolver as coisas no centro da cidade, o neto ficava ali vendo TV. ‘Tá gastando energia, o que é isso que você está vendo?, Mas você não viu isso ontem?, Nossa, mas que besteirada!, Onde tá seu pai?, Seu pai foi trabalhar?’. Tudo era respondido pelo próprio fluxo de consciência da velha. O garoto apenas ficava hipnotizado pelos desenhos da TV.

Lentamente, no cambalear preguiçoso de quem acaba de acordar, o bicho desceu as escadas e pulou no sofá. A televisão perdeu o sentido. O menino só tinha olhos para o gato. Abraçou, apertou, passou a mão na cabeça e o bicho esfregava-se nele. Os miados animavam o garoto.

‘MENINO! Larga isso! Você vai pegar uma doença! Ele vai te morder! MENINO! Larga!’. O gato, mesmo com os gritos da velha, continuava miando calmamente e o neto, como se nada ouvisse, continuava a acariciar o felino. A implicância com o bicho agora era motivo de honra.

Não esperou. No mesmo dia, em uma das visitas relâmpagos, já começou a espalhar as histórias sobre o gato, suas doenças, bicheiras e pulgas. Contou, numa expressão de pura verossimilhança, sobre o ataque que o bicho tentou fazer ao tão querido neto e todas as coisas que ele quebrou pela casa.

Tentou argumentar com a filha para que o gato fosse mandado embora dali. Não houve conversa. O gato fica! Tentou agradar o bicho, cheia de boas intenções. Até colocou arroz velho numa tigela para ele.

‘Coloquei comida praquele gato maldito e ele nem cheirou! Podia morrer de fome! (...) Mas é abusado! Só quer saber de comer ração! Mas come! Nossa senhora! Como come! Por isso que ta virando uma bola!’.

Naquela noite, o gato saiu para caçar. O resultado foi visto na manhã seguinte. Várias baratas mortas. Ele não as comia. Era um ritual. Fazia apenas pelo divertimento do caçar. Ele era um esportista!

As histórias sobre o gato aumentavam. 'Ele fede a casa toda. Nossa! Mas é um fedor insuportável! Mas ele enterra... E ele todo dia aparece com barata aqui! Que bicho sujo!' contava num tom pejorativo. Pouco depois, já falava com um leve sorriso no rosto 'Hoje eu acordei e tinha cinco baratas mortas aqui...’ Num tom íntimo, aproximava-se de quem ouvia suas histórias e contava confidencialmente ‘O bichinho sabe caçar...’. O sorriso fechava. ‘Só podia ser menos sujo!'.

O bicho, numa tentativa de aproximação ou numa consciência humana que não deveria ter, descia as escadas, chegava perto da velha. Com a cara mais assustadora que conseguia fazer, ela vinha correndo num estilo Godzilla e assustava o gato. Olhava ao redor. Sorria.

Quanto mais os dias passavam, mais mal falava do gato. Aliás, o gato era o assunto agora. A janela, antes foco principal dos únicos assuntos sempre repetidos, agora era mero complemento de conversa. O gato roubou a cena.

E por mais que a velha reclamasse, era estranho notar o sorriso pequeno, disfarçado, em meio aos pés de galinha, sempre que pensava nas baratas mortas. Era como ver, todos os dias, a morte de suas próprias baratas...

maio 25, 2009

A quase-volta

Ando desaparecido do mundo da blogosfera. =]
Mas estou voltando. Ainda essa semana postarei alguns textos =]

Fiquei muito feliz essa semana. Recebi um selo muito legal =]

Quem me indicou foi o Caio Abreu do blog My Inner Universe!
Visitem XD É muito bom xD



E bem, como todo selo vem com alguns 'requisitos', irei responder às perguntas!


1) O que seu blog tem de tão perfeito pra ganhar o meme Stefhany?

Desatualizações? hehe Sei não =]

2) Por quanto tempo ouviria as músicas da diva?
Veria o clip no mudo por muito tempo xD

3) O que você faria para ter um momento com a Stefhany?
Compraria um Cross Fox.

4) O que a musa tem que nenhuma outra celebridade/artista/cantor tem?
Um Cross Fox? O nome com 'fh' no meio?

5) Você claro como um bom fã que é... já sonhou com a esplendida Stefhany. O que aconteceu no sonho?
Fizemos uma versão para Umbrella.

6) Diga uma palavra que defina Stefhany?
STEFHANY!

7) Você poderia compará-la com quem?
Só com o Cross Fox.

8) O que significa ser fã de Stefhany?
Ser fã de Stefhany é viver (brega isso hehe)

9) Diga um trecho ou nome de música da Stefhany inesquecível pra você!
'No meu Cross Fox, eu vou sair...'


Minhas indicações:
Yully - Estéphanie - CLARO XD: http://mentecorderosa.blogspot.com/
Marcel: http://dull-flame.blogspot.com/
Jheniffer: http://enxamedemonologos.blogspot.com/
Darshany: http://garotadocasacoverde.blogspot.com/
Patolina: http://patedealface.blogspot.com/

Regras do Meme²:Expor o nome do blog que lhe indicou no começo do post. Expor o meme. Responder as perguntas. Repassar o meme para 10 ou 5 Blogs. Repassar a mensagem final

abril 13, 2009

O conto que nada conta

Esse é um conto que nada conta. Começa assim, do nada.
Ele simplesmente vem, passando por caminhos que ninguém nunca viu. Ele tenta falar algo, mas não consegue. Seria em vão tentar falar algo porque um conto que nada conta, fala sem nunca falar.
Não tenho como dizer se ele vem na esperança de passar a existir ou se é apenas uma tentativa de falsidade ideológica. Afinal, será mesmo que isso existe?
O verdadeiro conto sente inveja do conto que nada conta, porque ele, sem nada contar, existiu. Entretanto, o verdadeiro conto não sabe que o conto que nada conta não tem muito tempo de vida.
É assim que o conto que nada conta termina, desaparecendo como algo que nunca existiu, como respostas que giram em torno de uma mente sem perguntas.

abril 04, 2009

O silêncio do relógio

Estou atrasado. Vejo o tempo passar.
As pessoas andam de um lado para o outro. Estou invisível. Não existo na minha existência.
De alguma forma, não quero que as pessoas me notem. Vivo neste instante com o intuito de apenas passar. Não preciso que as pessoas me percebam.
Não existo na visão delas, mas eu estou ali.
À espera de uma solução ou de um ônibus (o que chegar primeiro), caio em novas reflexões. É um beco sem saída. Não há respostas quando se pensa num estado de inexistência.
Logo logo isso irá passar, esse autismo voluntário. A dúvida me corrói. Nem a solução nem o ônibus chegam. Não só eu estou atrasado. Observo ao meu redor, as pessoas olham o relógio. Todos estão atrasados.
Estou invisível e atrasado. O ônibus chegou. Sou apenas um fantasma no reflexo de um ônibus que passa, sem solução.






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Essa semana recebi um Selo ^^ achei bem legal =]

A indicação foi do blog 'Ponderantes', escrito pelo Valdeir Almeida! Muito obrigado!

O selo acompanha alguns passos a serem seguidos:1) Escrever uma lista com oito coisas que sonhamos fazer antes de morrer;2) Convidar oito parceiras(os) de blogs amigos para também responder;3) Comentar no blog de quem convidou;4) Comentar no blog de nossos(as) convidados(as) para que saibam da convocação.

A primeira etapa do selo, eu prefiro não seguir! Guardar os sonhos em segredo é algo mais legal ^^

A seguir, lista das 8 pessoas ^^
Darshany
Aline Dias
Marcel
Sanmy
Sido
Patolina
Aleks
Felippe

abril 02, 2009

É um robô!

Num mundo marcado pela influência dos meios de comunicação e que as crianças passam cada vez mais tempo sozinhas, a televisão tem papel marcante na criação do imaginário e visão de mundo infantil.
É nesse contexto que ocorre essa história.
Fim do período letivo, meu primo de 3 anos traz o caderno de atividades escolares para mostrar para a família.
Depois de alguma insistência dele, resolvi revirar o caderno. Eram só desenhos. Abri numa página aleatória.
- Nossa! Que desenho lindo! O que é?
- Ah! É um robô!
Virei a página.
- Que bonito. Esse é o que?
- É um robô!
Passava as páginas e todos os desenhos eram praticamente iguais. Numa determinada folha, na parte superior estava escrito com a letra da professora: 'BORBOLETA'. Aproveitei a chance.
- Nossa! Que borboleta bonita! - fui surpreendido!
- Não! Não é uma borboleta! É um robô!
Não acreditei! Tudo naquele caderno era um robô. Virei rapidamente a folha.
- E isso aqui? É um robô também?
- Não! É a mamãe!
Desisti de entender meu primo. Peguei minhas coisas, fui embora. No fundo, acho que ele é um robô.

março 29, 2009

Conto Erótico

Há algum tempo, ele já olhava para ela com um ar diferente. Um ar de desejo. De querer. De ter. De Posse.
Ela, por sua vez, não revelava seus pensamentos. Ela o via. Gostava dele. Gostava de sua presença.
As linhas do tempo se embaralhavam e uma festa surgiu.
Vamos? VAMOS!
Chegaram às 20:30 na festa. Beberam alguns drinks e foram para a pista de dança.
Dançavam loucamente. Uma hora a boate estava cheia, no segundo seguinte, só os dois estavam lá. Já não importava o resto. Eles se completavam.
Os olhares se cruzavam. A incidência da linha, a intensidade da linha, a linha dos olhares criava uma conexão. O palpitar da música era a batida do coração deles. Batiam sincronizados. Juntos.
Os rostos se aproximavam. O olhar que durante tanto tempo foi de desejo, já sentia aquela sensação de felicidade, de satisfação.
Os últimos segundos antes do beijo. O beijo. Aquele beijo.
Os rostos se aproximavam, os olhos caíam, fechando-se, como se não precisassem ver o que estava para ocorrer.
As mãos dele cercavam-na na cintura.
A garota aproximou-se do ouvido dele, sentindo toda a energia daquele momento. Um sussurro ecoou ali.
- Eu tenho que ir.

março 24, 2009

A Gang da UFES

Duas da tarde. A professora se acidentou.
Para quem tá em Federal, sabe que são muitas xeroxs para ler desde quando as aulas começam. Fomos eu e uma amiga procurar um lugar para ler os textos de História da Arte.
Sentamos numa pedra grande que há próxima ao nosso prédio, embaixo de algumas árvores. Ela logo avistou um pequeno macaco em meio aos galhos.
Conversa vai, conversa vem, o texto para aula havia sido deixado de lado. O macaco pulava de árvore em árvore, galho em galho.
Estava na hora de eu comer. Ofereci uma barra de cereal e peguei uma. Ela comeu rapidamente e eu fui apreciando o sabor lentamente.
Empolgado num assunto, abaixei a barra de cereal e comecei a falar. Depois de um bom tempo, sinto algo em minha mão. Levo um susto! Retraio o braço no impulso.
A expressão do macaco era de dar medo. As mãos dele tremiam no desejo de possuir minha barrinha de cereal. Ele estava prestes a atacar. Era um assalto.
- Meu Deus! Termino de comer ou entrego a barra de cereal?
- Engole de vez!
Olhamos para trás. Três outros sagüis davam cobertura ao primeiro trombadinha.
Metade da barra, era o que faltava. Coloquei na boca, a barra grudou e eu não conseguia mastigar.
Lentamente recolhemos as folhas espalhadas e corremos da gang.
A crise chegou até mesmo ao mundo animal. E acredite, eles são mais bonitos de longe.

março 23, 2009

O Quarto Escuro

Depois de alguns anos vivendo entre aquele velho quarto escuro e o mundo aberto, as coisas pareciam que nunca iriam mudar.
Te pegam. Te jogam no quarto escuro. Jogam a chave fora. Pronto. Agora você é o prisioneiro das sombras. Por mais que você veja uma luz vindo por debaixo da porta, a noite sempre vem e termina com essa luz.
Passei alguns anos preso nesse quarto. Eu vivia na cegueira absoluta de um mundo seguro. Não havia surpresas. Não havia perigos. Não havia nada a ser vivido.
O medo cria dois principais caminhos: conformar-se ou lutar contra. Escolhi a segunda opção.
Durante dois anos, joguei-me contra a porta, tentei arrombá-la. Quebrar a grade da prisão. Minhas forças foram se esvaindo. Nunca desisti.
Nos meus últimos devaneios, a porta cedeu e foi ao chão. Já não tinha forças para me manter em pé. A luz chegava aos meus olhos.
Seguindo o caminho desejado, arrastei-me no chão em direção a luz, como o próprio diabo que segue em direção a cruz.
Revi o mundo. Minhas forças voltaram lentamente. Mesmo que o velho quarto escuro me assombre, nada vai me parar.

março 15, 2009

Nunca vou saber

Num sonho qualquer, ela apareceu. Parecia a mesma pessoa que eu admirei a vida toda. O que houve? Já não nos víamos, minha vida já não a interessava.
Aproximei-me. Logo veio a pose de abraço tão conhecida. Por que ela partiu? O que houve?
Um sussurro veio no ouvido. O que? Não entendo! Eu sabia que eu precisava ouvir aquele sussurro.
Seria aquela a resposta que eu buscava? Tentei perguntar, mas nada fazia sentido. As coisas no sonho se embaralhavam. Nossa ligação momentânea estava se rompendo. Tentei perguntar novamente o que ela disse, mas era tarde. Eu sabia que uma nova fase tinha começado. O passado havia ficado para trás.
Eu tinha que encarar o presente. Talvez não fosse a hora de ouvir o que ela queria dizer, mas sim de entender o que aquele sussurro significava. Alguma coisa havia mudado. A mágoa já não existia.
O despertador tocou. Instantaneamente, eu saí daquele universo paralelo. Toda minha raiva havia partido. O abraço e o murmúrio de alguma forma me mudaram.
O sussurro era a explicação? É o motivo de você ter nos deixado? Nunca vou saber, mas estou bem.

março 07, 2009

Mude já!

As mágoas que deixei
Os amigos que ficaram
As lembranças que vêm

Tudo faz parte de mim.
Que venham as mudanças!

março 02, 2009

Um dia comum

Dias desses, entrei num ônibus e me dirigi ao fundo em busca de um lugar vago. Não havia poltronas livres. Agarrei-me a uma barra e a lotação continuou a viagem.
Apenas meus problemas vinham à mente. Eu pensava nas mudanças que queria, que estavam prestes a vir. Eu estava perdido nos meus pensamentos. O mundo era pequeno demais para que eu o olhasse.
O ônibus freia bruscamente e eu saio de meu estado de transe. Olho para frente e vejo num conjunto de cadeiras um adulto e duas crianças. O homem não era pai ou parente delas. Ele apenas estava ali.
Eram dois meninos, um de aproximadamente 10 anos e o outro de uns 6, que estava adormecido, mesmo com todos os tremeliques do ônibus. O maior segurava o irmão com tanto empenho e todo cuidado, como se carregasse um vaso chinês.
Meus problemas sumiram. Meu coração palpitava. Observei as roupas em que estavam vestidos. Não tinham muitas posses, possivelmente nem tinham o que comer.
A criança menor parecia fraca, com fome, talvez desmaiada. Olhei ao redor. Ninguém os via. Tampouco eu os via.
O adulto se levantou e saiu do ônibus, como se nada estivesse ocorrendo. Eu era como ele, eu apenas estava ali.
O jovem de 10 anos arrumou o irmão no banco, agora livre, e o deitou no colo. Segurava seu rosto como uma mãe que segura um filho que acabou de se salvar de um acidente. O garoto adormecido nem ao menos abria o olho, enquanto era ajeitado no banco.
O que acontecia? O que houve? Por que ninguém vê isso? Por que ninguém faz nada? Eu era hipócrita. Eu sentia pena e nada fazia, como se eu apertasse o gatilho querendo que eles vivessem.
Meu trajeto se aproximava do fim. Meu coração batia dentro da minha cabeça. Em tempos tão difíceis, quem se entrega nessa proteção carinhosa a alguém? Eu não tinha pena. Era inveja. Eu era o mal daquele ônibus.
Eu não estava os vendo. Eu invejava. Como alguém que, com tão poucas posses, poderia ser mais amado do que eu? No fundo, tudo que eu via era meu ego se esvaindo.
Fim do meu trajeto. Uma faca cega retirava meu coração. Como se apertasse o gatilho, eu saltei do ônibus, sem nada fazer. Eu era o mal daquele ônibus. Eu era o mal desse mundo.

março 01, 2009

Delírio...

Hoje sonhei com nosso futuro.
Fiz planos.
Sorri.
Lembrei do seu rosto.
Pensei em quanto você me faz bem.

O despertador tocou.
Você não está aqui.

O vento

O vento
me trouxe
o cheiro
daquilo
que já
não tenho

fevereiro 27, 2009

História de amor

Nossa história
Escrita num papel de carta
O vento levou

Fim.

fevereiro 25, 2009

Encontros e Desencontros

Ele entrava pisando levemente pela sala. Aquele ambiente tão conhecido, agora parecia inóspito. Era como se fosse a primeira vez que estivesse ali.
Retratos de várias épocas de sua vida povoavam a sala. As lembranças corriam de um lado para o outro, trazendo memórias que apenas os porta-retratos podiam guardar: estáticas, felizes, eternas.
Esse efeito parece nos fazer porta-retratos, mas não somos.
Andando pela sala, um espelho ao fundo. Quem é ele?
- Eu sou você!
- Se você sou eu, quem sou eu?
A pergunta maldita. A pergunta tão temida. É uma pergunta sem resposta. Respondê-la ou mesmo só pensar em sua resposta, já cria desconforto, confusão e caos. O caos se organiza. Fim daquela vida. Para tudo há um novo início. Não é mesmo?
Os encontros e desencontros de si com o próprio mostram que o porta-retrato é falso. Os buracos entre uma foto e outra permitem inúmeras reflexões e vivências. O espelho não é capaz de refletir tudo isso. Nele, as coisas são inversas.
O mundo dos espelhos é aquele que só ocorre com ações de alguém que está fora dele? Ou será que as ações do nosso mundo só ocorrem se algo vier do espelho? Quem é reflexo de quem? Afinal, a qual dos mundos pertenço?
Se quem está no espelho sou eu, eu não posso ser ‘eu’ próprio e, portanto, não sou quem eu pensava que era.
Os minutos passavam. Eu via os porta-retratos girarem pela sala. Olhar para mim e ser apenas observador parecia estranho. Aquela conversa muda, as trocas de olhares e os imensos monólogos duplamente ditos traziam a estranha impressão de estar deixando para trás quem ele acreditava que seria eternamente.
Os espelhos parecem refletir a realidade mostrando quem a gente é. São hipócritas. Mundo ilusório, frágil. Eles mostram que não somos únicos, sempre haverá outro de nós.
Os segundos passavam. Ele não tinha mais tempo a perder. As tarefas do dia-a-dia o aguardavam. A ida e vinda de olhares parecia transmutar o ser que olhava os espelhos.
Como se ele trocasse de lugar com o outro, pega as chaves, abre a porta e sai seu velho corpo com uma nova consciência.

fevereiro 23, 2009

Mergulhe...

Ache suas respostas. Descubra o que busca.
Já vi pessoas que pularam de pontes e prédios procurando uma resposta.
Já vi pessoas que foram fundo em seus problemas até encontrar a solução.
Ache seu jeito. Mergulhe naquilo que você não entende.

fevereiro 22, 2009

A família capitalista no ódio pela matemática...

Acho que meu ódio pela matemática veio quando aprendi o valor de x e y.
Calcule juros, montante, gastos. Lucre.
Ele sempre me viu como uma máquina de calcular.
Eu sou uma tentativa de expansão dos lucros.

fevereiro 21, 2009

Promessa dos 15 anos

Ao passado que deixo pra trás, prometo mudar a partir de agora. O juramento se faz aos 15 anos, não porque essa seja uma idade em que me considero crescido, mudado ou adulto, faz-se da necessidade de mudar, de ser eu, de impor respeito.
Prometo buscar respostas àquilo que não entendo, correr atrás dos sonhos que desejo, não me arrastar por um grande amor. Não vale a pena. As pessoas não valorizam o que vem de graça.
Prometo ser justo, amigo ou traiçoeiro, de acordo com o merecimento alheio.
Prometo reviver a imagem dos meus ídolos que já se foram e não deixá-los esquecidos. Alimentar-me das coisas e valores que acredito. Viver intensamente.
Prometo viver a liberdade utópica, mesmo que isso signifique ser prisioneiro de mim mesmo.