julho 03, 2017

o que eu fiz

você continua a me odiar
uma pausa no discurso
e oculto vem me odiando novamente

o que eu te fiz?
queria tanto entender

junho 05, 2017

Conto de fadas

Era tarde. Estava ela deitada numa cúpula de vidro adormecida para sempre. A chuva caía lenta dentre as folhas da floresta. A rainha má tinha tido sua vitória. Amigos cercavam o caixão incrédulos ao aguardo do milagre anunciado com a chegada do príncipe.

O beijo poderia quebrar a maldição e trazer o final feliz. Um suspiro de alívio, um brilho no olhar de esperança. Lentamente o príncipe se abaixa e beija a princesa.

Nada acontece. O beijo que não ressuscita. O amor que não cura. A princesa que não quer voltar.
Passou um café, montou um cavalo e foi embora.

maio 28, 2017

Punição

Sou completamente contra a lógica punitivista. Não quero pena de morte, não quero gente apodrecendo na cadeia. Quero gente se arrependendo de seus erros e seguindo em frente sendo pessoas melhores.

No fundo, me bate uma onda de EvilQueen e um desejo de: I shall destroy your hapiness even if it's the last thing i will do in my life.

maio 24, 2017

Não tive tempo de dizer adeus

Não tive tempo de dizer adeus.

Guardo as palavras, seguro o choro. Muita coisa que eu ainda queria dizer e não posso. Por que você partiu tão rápido?

Me pergunto se você está em paz.

Pegou a bicicleta. Se despediu, passou pela porta.
Foi viver a vida. Nem tive tempo de dizer adeus.

maio 19, 2017

Caixa de mensagens

Acostumou com as cartas diariamente. Sempre em envelopes vermelhos eram colocadas na caixinha com formato de casa de pássaros diariamente.

Ia pegar o jornal e já se encantava com as palavras e o envelope sem remetente. Já sabia quem era. Já sabia o cheiro. Já sabia a letra.

Certo dia, pegou o carro, atropelou a caixa e fugiu.

maio 16, 2017

Quem você é?

Esses dias, um amigo me disse que quando Pedro fala de Paulo, sabemos mais de Pedro do que de Paulo. O que você me diz sobre Paulo?

maio 15, 2017

Dia a dia

Esta noite sonhei contigo. Você chorava e me pedia desculpas. Pedia para que eu não me afastasse.
Prometi que não me afastaria.

Na noite anterior também sonhei isso. E na anterior.

Acordei, lembrei da cena e fiquei na dúvida se era um sonho ou um deja vu.
Já vivi isso.

Escolhi não me afastar.
Você escolheu me mandar para longe.

Pouco a pouco, desvio na rua do lado para não te encontrar.
Um sorriso distante, uma lágrima interna.

O medo de alguém que tudo sabe sobre mim.
E a reciprocidade de não entender.

Corro de volta para casa.
Desligo o celular.